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vendredi 18 juin 2010

L'écrivain portugais José Saramago est mort

L'écrivain et Prix Nobel portugais José Saramago est mort à l'âge de 87 ans sur l'île espagnole de Lanzarote (Canaries), où il vivait depuis 1993 avec son épouse, la journaliste Pilar del Rio. Né le 16 novembre 1922 à Azinhaga (Portugal), José de Sousa Saramago est le seul Portugais décoré du grand-collier de l'ordre de Santiago de l'Epée et reste à ce jour l'unique auteur lusophone à avoir reçu le prix Nobel de littérature, en 1998.
En soixante ans, José Saramago a publié une trentaine d'œuvres, des romans mais aussi de la poésie, des essais et des pièces de théâtre. C'est en 1947 qu'il publie son premier roman, Terre de péché. Il attendra dix-neuf ans pour publier son deuxième livre, un recueil de Poèmes possibles. Entre-temps, il travaille dans l'administration ou des maisons d'édition et collabore à plusieurs journaux. Son deuxième roman, Manuel de peinture et de calligraphie, paraît en 1977. Mais ce n'est qu'en 1982, alors qu'il a 60 ans, qu'il accède à la notoriété avec Le Dieu manchot, roman d'amour situé au XVIIIe siècle.
Son œuvre, historique et allégorique, fait plusieurs fois scandale. En 1992, dans L'Evangile selon Jésus-Christ, il dépeint le Christ, pendant sa virginité avec Marie-Madeleine, utilisé par Dieu pour étendre sa domination sur le monde. Son livre fait polémique au Portugal, l'auteur part alors s'installer aux Canaries. En août 2009, il publie Caïn, qui raconte de manière ironique le récit biblique de l'assassinat d'Abel par son frère Caïn. Lors de la présentation de son livre, Saramago crée à nouveau la polémique en qualifiant la Bible de "manuel de mauvaises mœurs". Homme de gauche, José Saramago était membre du Parti communiste portugais depuis 1969 et prit part à la "révolution des œillets" du 25 avril 1974 qui mit fin à la dictature salazariste.
La quasi-totalité de l'œuvre de José Samarago est disponible en français aux éditions du Seuil.
En portugais...
Morte de Saramago noticiada em todo o Mundo
A morte do escritor português e prémio Nobel da Literatura José Saramago, que hoje, sexta-feira, faleceu aos 87 anos, é destacada nas edições on-line de vários jornais internacionais, onde é lembrado como "a voz literária do seu país".
Duas horas depois de conhecido o seu óbito, o agregador de notícias Google News já listava mais de mil sites noticiosos de todo o Mundo com referências à morte do escritor.
A edição on-line da revista alemã "Der Spiegel" recorda o escritor português "como a voz literária do seu país" .
Outros jornais de referência alemães ou suíços, como o "Süddeutsche Zeitung" ou a NZZ, respectivamente, traçaram o percurso da pessoa e escritor, lembrando "a imagem pessimista do mundo" e a "ironia" que marcou, em geral, a sua obra.
O espanhol "El País" refere que a "polémica acompanhou Saramago em várias etapas da sua vida literária, tanto pela sua obra como pela sua personalidade".
A Reuters recorda também a polémica em torno deste romance, afirmando que Saramago ficou "debaixo de fogo do Vaticano" e "acusou o governo português de censura".
Já o francês "Libération" salienta que Saramago foi "o primeiro Prémio Nobel em língua portuguesa". O "Le Monde" lembra-o como "um homem de esquerda, que nunca escondeu o seu cepticismo contra a construção europeia e lamentou a deriva liberal".
"O intelectual desconfortável" é o título escolhido pelo italiano "La Stampa", que afirma que ninguém como Saramago "conseguiu estudar o homem na sua grandeza e fraqueza", considerando-o como um "dos escritores mais talentosos da época contemporânea".
Para o londrino "The Guardian", Saramago foi o "melhor escritor português da sua geração", alguém que conseguiu explorar "a identidade política conturbada de Portugal numa série de romances publicados ao longo de quatro décadas".
O "New York Times" refere que o escritor "era conhecido quase tanto pelo seu inabalável comunismo como pela sua ficção", enquanto que o brasileiro "Globo" salienta que Saramago era um "céptico" e "pessimista" que "levantou sua voz por inúmeras vezes contra as injustiças, a Igreja e os grandes poderes económicos, que ele via como grandes doenças de seu tempo".

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